Friday, 24 August 2007

A casca dourada


...ficam de fora o bafo, o cansaço, as risadas, a tempestade que veio de repente e aquela anunciada, o pé escorregando na pedra molhada, Javier “o menino mogli”, um duplo seis na hora certa, outro na hora errada, o carro encostado e os caras lá dentro fazendo fumaça, a parafina na unha, a “noite” no túnel, o frio do mercado e a barriga assada, o Italiano figura e a prancha quebrada, a chuva no mar, os banquetes do Nando e a toalha molhada (aquela mesmo que nunca seca), Zunzal quebrando pela janela embaçada, El Zonte, o pitbull, o rottweiler e a Peruana, o gringo das marcas e as fotos tiradas, o Langusta falando de olho na estrada, o flat lá embaixo e de cima uma Pilsener bem gelada, a massa esperando e o forno bichado, uma ponta sem manga e um tronco deitado, a onda, as pedras, o muro e a cruz, o saque com efeito na mesa suada, o leash estourado na hora marcada, o calor sufocante e o vidro fechado, a vela queimando e o ar desligado, o sono da tarde na rede esticada, o barco esperando e o cheiro da água...enfim, tudo aquilo que GRAÇAS A DEUS nenhuma máquina jamais será capaz de capturar de verdade, além é claro da irreparável ausência de quem devia estar lá e não estava.

GK

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